terça-feira, 30 de novembro de 2010

Continuando...

Ela andava com passos rápidos. Não corria, não gostava de fazer isso e, quando estava atrasada, preferia acelerar os passos a simplesmente correr.
Passava das nove horas. Eles marcaram há mais de vinte minutos.
Sempre se atrasava. Sempre. Nunca de propósito. Sempre arranjava algo pra fazer que lhe distraia, ou acabava simplesmente perdendo a hora. Mal sabia ela que ele adorava essa distração.
Agora andava rápido. Distraída com as luzes, periodicamente parava para observá-las e, segundos depois se dava conta de que estava atrasando ainda mais. Quando pensava no 'encontro' um sorriso se abria espontâneo em seu rosto e os passos aceleravam, junto com o coração. Se sentia boba ao notar isso. Tanto tempo vivera aquilo e só agora que tudo fazia mais sentido.
Os anos passaram correndo por sua vida e ela se sentia mal por ter perdido tanto tempo com coisas tão bobas. Mas, ao mesmo tempo, ela sentia-se a pessoa mais esperta do mundo por, há alguns meses, não deixar mais as coisas estacionadas, como estavam.
Menos de uma quadra para encontrar com ele. Diminuiu sua velocidade. Não poderia chegar toda afobada, desarrumada ou apressada. Manter sua postura, em frente a ele, era sempre importante.
'Manter a postura'. Só fazia isso nos primeiros minutos ali. Depois disso, só os dois sabiam como ela tornava-se só uma garotinha frágil e, ele, o herói protetor.
Ao virar a esquina, o viu ali. O sorriso abriu-se em ambas as faces, quase sincronizados.
Ela não era boa em encarar ninguém, seus olhos correram pro chão, pra uma olhada rápida pra trás mas, com alguns passos, acabaram nele. Abriu seus braços de forma espontânea, sentiu os braços dele envolverem sua cintura. Como aquilo era bom.
Aquilo era o êxtase do encontro, sem dúvida. Era aquele abraço quente, feito sob medida para o corpo dela. Aquele abraço que, ao ser extravasado, só recebia mais um aperto de volta. Aquele abraço do qual ela sentira e ainda sente tanta falta.
Sem soltar as mãos, encarou-o e fez aquilo que só ela sabia fazer.
O fez sentir-se único.


[gente, quanto tempo sem escrever aqui,
 né? Tentarei voltar, um beijo]