Ele, acabara de chegar.
De mãos dadas com outra, ela não evitou o sentimento estranho no peito. Percebendo que o seu passado estava ali, sorrindo com outros, ele não evitou a vontade de fazer ciúmes.
A garota tentou continuar neutra. Procurava qualquer olhar, menos o dele. Batucava na mesa, não comentava nada.
Seus olhos pegaram, de relance, o menino abraçando aquela por trás. Era assim que ele costumava fazer com ela. Sentiu vontade de parar. Levantar-se e fingir não saber. Sair dali. Não podia.
Há menos de dois meses falara para ele 'você sabe como é, estou me envolvendo com outro'. Sentiu como ele, ainda com dor, perguntou, duas semanas depois se, com o outro, havia funcionado. Porque era tão difícil?
Tinha aceitado a condição de amiga. Mas vê-lo com outra era tão... Estranho.
No dia anterior ainda dissera que vê-lo feliz, era a felicidade.
Estava cansada.
Ele continuava a distrair-se. Era um garoto ativo. Falava com todos, simpático. Não tinha problema para se distrair. Aproximou-se da menina que estava com ele, abraçou-a pela cintura. Sempre gostara de fazer isso.
Olhou para o lado. Sabia como interpretar a menina da mesa. Ela não era muito boa em disfarçar. Estava mais quieta, mas continuava sem notá-lo.
Dois meses atrás chegaram a um acordo. Há mais de dois anos, ainda existia algo dentro dele. O acordo era que, quando rolasse, não teriam represálias. Ele sentia desejo, ela não ligava de satisfazê-los.
A viu levantar-se da mesa. Onde ia?
Junto com duas amigas, a garota voltou a sua mesa. Foi dar uma volta. Não pensar em nada por algum tempo.
Em alguns minutos, em sua mesa só sobraram quatro pessoas. O clima de fim de festa já começara.
Conseguiu esquecê-lo, inclusive ao voltar para a festa. Não era tão fácil até algum tempo atrás...
Conversava. Não era a única com questões dentro de si.
Sentiu braços em volta de seu pescoço. Conhecia aquele abraço.
- Oi - não só ouviu a voz conhecia. Sentiu o cheiro.
- Está cheirando bem...
- Cheiro de quê? - o viu sorrir. Sabia o que ele queria que ela respondesse.
- Não sei... É doce... Não lembro o nome... - enrolou um pouco.
- Melância.
- Não é. É outra coisa...
- Melância. Trident de melância.
- Não, mais doce que isso.
- O narguilé também. Mas é trident de melância - ele afirmou. Respirando fundo, muito próximo ao rosto dela.
Engraçado, em alguns momentos. Ele por perto fazia seus amigos não estarem mais lá.
- Pois é, deve ser o narguilé...
O garoto levou as mãos aos omrbos nus da menina. Começou a massagea-los.
Suas mãos eram algo estranho. Grandes, firmes. Acima de tudo? Sabiam exatamente onde ir.
A massagem continuou lenta e silenciosamente.
- Você está arrepiando... - ele riu. A garota olhou para os próprios braços e notou. Levantou os olhos sorrindo.
- Pois é, estou arrepiando... Não sei porque... - falou lenta, talvez prevendo uma resposta.
- Você sabe porque... - aquelas mãos. Desceram rápidas por seus braços. Cairam em suas coxas. O rosto dele voltou à altura do dela. A boca do garoto encontrou aquele rosto quente.
Beijou-a. Mordeu-a. Mas não chegou à sua boca. Sabia o que a garota pensava sobre aquele contato.
A menina sentiu as mãos subirem até sua cintura. Arrepiou-se novamente.
- Te chamaria para dar uma volta, mas sei que você não ia aceitar... - ele sussurou. Sabia o que 'uma volta' sugeria.
Ela realmente não aceitaria. Não naquele momento.
Deixou as mãos continuarem dominando-a. Deixaram a boca continuar tocando-a. Não ligava para nada daquilo.
Ele se afastou aos poucos. A garota arrepiada o deixava ir e vir quando quisesse. O menino tinha consciência disso.
Após deixá-la sozinha, foi pegar uma bebida. Ao voltar, a viu falando no celular, em um lugar vazio.
Observou-a. De fato, ainda existia algo que o atraia. Sempre existiria.
Ela voltou.
- Minha prima está sem a chave. Preciso ir para casa... - anunciou para a mesa. Ele já conversava com outras garotas. A menina se despediu dos amigos. O encarou de longe e acenou.
Ele sempre estava cercado de garotas. Até certo ponto ela não ligava. Dali pra frente, sentia-se mal. Pois sabia que tinha preferência. Ou pelo menos ele a fazia pensar isso.
Viu o moço vindo em sua direção. Sorriu. Aqueles braços a envolveram novamente.
- Tchau - ele falou enquanto a apertava - meu beijo? - virou o rosto. Um beijo estalado na direita. Um beijo estalado na esquerda. Se encararam por um momento. Ambos sorriram sapecas - não vou pedir um selinho, você não quer dar - ele anunciou ao pé do ouvido dela.
- Só porque eu ia dizer que um selinho, hoje eu dava - respondeu sorrindo. O garoto afastou seu rosto repentinamente e a encarou. Esperando.
Ela olhou rápido em seus olhos negros, sorriu e apertou seus lábios contra os dele, logo jogando-se novamente no abraço.
- Durmo mais feliz essa noite - o menino concluiu. Um último ajuste no abraço. Separando-se lentamente ela o deixou ali, na grama.
Sorrindo.
[uuuuau. Grande '-']
Um comentário:
olah boo
adorei o seu estilo de escrita. períodos curtos e bem pontuados dá a sensação de algo cronológico como se o roteiro do texto estivesse se passando à frente do leitor.
fora o jeito introspectivo de vc tratar o tema. Simplesmente adorei.
Parabéns. pode deixar q eu vou passar aqui muitas outras vezes.
ateh mais
Postar um comentário